terça-feira, 8 de julho de 2014

VLI testa locomotiva com tração de corrente alternada

A VLI iniciou, no último mês de junho, os testes com a locomotiva de tecnologia AC (siga em inglês para corrente alternada) de bitola métrica, operação que acontece em conjunto com a Electro-Motive Diesel (EMD), fabricante do ativo. A primeira movimentação contou com um trem carregado com 21 vagões de fertilizantes, que partiu de Contagem (MG) em direção ao Triângulo Mineiro. Ao todo, 2.065 toneladas foram tracionadas.

Ativo é fabricado pela Electro-Motive Diesel e promete aumentar a produtividade operacional

A operadora logística continuará realizando testes com locomotivas de tecnologia AC por mais seis meses, tracionando trens de açúcar, grãos e fosfato no corredor Centro-Sudeste. Após as operações, se aprovado, o ativo poderá integrar o portfólio de locomotivas homologadas pela engenharia da companhia para futuras aquisições.

A principal novidade do equipamento fica por conta de seu motor de tração de corrente alternada que até o momento não existia em bitola métrica (1 metro) no Brasil, sendo utilizada apenas em modelos para bitola larga. Hoje, a tecnologia DC, de corrente contínua, representa 100% da frota de locomotivas métricas no país. Desenvolvida nos anos 2000, a tecnologia AC permite um controle eletrônico mais preciso e um aumento de cerca de 50% da capacidade de transporte de duas locomotivas de mesmo peso e potência.

Além da possibilidade do aumento de capacidade, outra grande vantagem da tecnologia AC é que ela permite a circulação das locomotivas de forma mais eficiente em condições extremas, como em curvas estreitas e rampas muito inclinadas, reduzindo os impactos na circulação e a manutenção dos trens. Para o gerente de Processos da VLI, João Silva Júnior, esse é um fator extremamente estratégico uma vez que os trens da empresa circulam normalmente em traçados sinuosos, o que demanda muita redução de velocidade com as locomotivas de corrente contínua.

Ainda de acordo com o gerente, a companhia cada vez mais investe em inovação, com ativos mais modernos e capacidade para de fato suportar o crescimento de volume da VLI. “Com o desenvolvimento da corrente alternada para a bitola métrica, podemos ganhar em agilidade, produtividade e confiabilidade para nosso sistema logístico”, garante.

Teste

A operação para análise de viabilidade de aplicação da tecnologia AC em bitola métrica foi realizada após três anos de desenvolvimento de um projeto por parte de uma equipe de mais de 50 pessoas da VLI. Entre os profissionais envolvidos estavam técnicos, engenheiros e maquinistas da empresa, juntamente com colaboradores da fabricante, a EMD.

Segundo o gerente da EMD, Marcell Mazzo, ao longo dos últimos 20 anos a tração AC provou ser superior à tração DC no desempenho de aderência da roda ao trilho e em relação aos custos gerais de ciclo de vida das operações de frete em todo o mundo. “O resultado obtido na América do Norte, Ásia, Austrália e Índia, entre outros, locais foi um dos maiores ganhos de produtividade na história da ferrovia de carga. Agora é vez de o Brasil provar essa tecnologia em bitola métrica com a locomotiva GT46AC”, diz. Fonte: VLI

Brasil quer atrair russos para ferrovias

O governo brasileiro quer atrair a Rússia para investir nos leilões das ferrovias brasileiras que serão abertos no ano que vem. A visita do presidente Vladimir Putin será o momento para a consolidação de um memorando de entendimento para tratamento preferencial de investimentos entre os dois países, o que abriria as portas das licitações brasileiras para a RZD International, operadora do sistema ferroviário russo. 


As dificuldades enfrentadas pelo Brasil para atrair investimentos privados nacionais para as ferrovias estão por trás da busca ativa pelas empresas dos parceiros no Brics (bloco que além do Brasil, inclui Rússia, Índia, China e África do Sul). A China também já mostrou interesse nesse mercado. A RZD Internacional chama a atenção por sua expertise no transporte de cargas e na operação de ferrovias de longa distância.

"O potencial da parte comercial nossa com a Rússia é enorme, inclusive da fase de defesa. Eles têm demonstrado interesse no programa de ferrovias, que começou a andar mesmo. Podemos ter um protocolo de entendimento de tratamento preferencial de investimento, haverá um diálogo. Vamos apresentar o que temos pela frente e pronto", disse ao Estado o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges.

A dificuldade maior seria o financiamento para investimentos externos, já que a empresa se concentra no próprio território e em alguma expansão para países asiáticos. Em negociações prévias, executivos da empresa mostraram-se dispostos a participar das licitações, mas pediram a participação de um parceiro local, familiarizado com a legislação brasileira, para facilitar sua entrada nesse mercado no Brasil.

Banco. Já o financiamento pode ser facilitado com a criação do Banco dos Brics, que deve ser finalizada na próxima semana, durante a Cúpula do grupo, em Fortaleza.

No governo brasileiro fala-se nos leilões da malha ferroviária brasileira como um dos possíveis projetos iniciais a ser financiado pelo banco, com a facilidade de ser aprovado porque beneficiaria, ao mesmo tempo, dois dos membros, Rússia e Brasil.

Como os cinco membros entrarão com cotas iguais no capital do banco, a decisão sobre os projetos que serão financiados terá de seguir normas técnicas e políticas. Entre elas, o interesse dos países financiadores e a importância econômica, além de critérios de desenvolvimento sustentável - critérios nos quais fontes ouvidas pelo Estado acreditam que a proposta se encaixa.

A primeira licitação para a construção de um trecho da malha ferroviária do País já poderia ter sido feita. A estrada de ferro entre Lucas do Rio Verde (MT) e Uruaçu (GO) tem o edital pronto e liberado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mas não foi para a rua porque o governo ainda tenta resolver o problema da falta de interesse do setor privado.

Atrair empresas estrangeiras seria uma forma de garantir o sucesso dos leilões. Até agora, além dos russos, chineses, australianos e espanhóis demonstraram interesse.

Fonte: Valor Econômico